Ceará usou a camisa com publicidade em jogo com
Ferroviário (Foto: Arquivo/ Agência Diário)
Uma camisa somente com o símbolo do seu time sem nenhuma estampa de patrocínio. Qual é o torcedor que não gostaria de que as camisas dos clubes fossem assim até hoje? Há 30 anos eram exatamente todas assim. Só que em julho de 1982, o Conselho Nacional de Desportos (CND) finalmente autorizou a publicidade nas camisas dos clubes.
Tanto os clubes quanto as marcas desejavam ter os nomes estampados nas camisas de seus times. O pesquisador Alberto Damasceno, traduz bem o que representou na época a permissão das publicidades em camisas.
- Foi a transformação de um sonho em realidade. Essa história da publicidade na camisa já tinha sido estudada anteriormente - diz.
Até a década de 1980, os clubes não possuíam nenhuma arrecadação oficial. Inúmeras soluções foram levadas para suprir a necessidade de verba dentro dos times, mas nenhum obteve sucesso quanto à publicidade em uniformes.
- Criaram as loterias para os times, mas não deu muito certo. Foram várias tentativas até chegar a essa alternativa das camisas - complementa Damasceno.
O 'sonho' de vender espaço nas camisas se tornou uma nova maneira de arrecadar verba para ajudar os clubes financeiramente e divulgar as marcas patrocinadoras. Ainda segundo Alberto Damasceno, na época, as marcas reclamavam que não tinham retorno no investimento.
- Para os clubes também foi bom esse tipo de contrato, uma vez que eles recebiam ajuda financeira de maneira oficial - declara.
Ceará e o Democrata-MG foram os primeiros times a adotarem o uniforme no novo estilo, à época, segundo dados da Revista Placar. O Ceará jogou a sua primeira partida com o patrocinador estampado nas costas contra o Ferroviário, no Campeonato Estadual de 82. Na ocasião, o time alvinegro goleou em 5 a 1 o time coral.
Solução antes, problema agora
Camisas de times hoje lembram "abadá", segundo Alberto Damasceno (Foto: Diego Morais / Globoesporte.com)
O especialista em marketing esportivo, Evandro Ferreira Gomes, conta que a mudança mais significativa nesses 30 anos foi o tamanho de espaço vendido nas camisas.
- Os clubes adotaram o modelo do Corinthians de vender múltiplos espaços para várias marcas. Antes era somente uma marca para dois espaços na camisa, hoje em dia os clubes tem uma tendência de lotear o espaço. Vendem para várias marcas e multiplicaram os espaços nas camisas - explica.
Com logomarcas que, às vezes, escondem o modelo das camisas, muitas vezes acabam empobrecendo e criando uma poluição visual.
- A venda de publicidade veio como solução para resolver os problemas financeiros dos clubes, mas isso atualmente não acontece. Agora fazem dos uniformes um verdadeiro abadá. É um shopping de publicidade. É muito feio - desabafa Alberto Damasceno.
Evandro Ferreira Gomes vê o excesso de publicidade em uniformes de duas formas.
- Por um lado é positivo porque o clube pode lucrar mais. O efeito negativo é que muitas marcas em um só local acaba deixando uma poluição visual.
Publicidade à favor da democracia
O especialista em Marketing Esportivo, Evandro Gomes, relembra nesses que nesses 30 anos da liberação da publicidade em camisas dos clubes, o Corinthians entrou em campo com a 'publicidade' à favor da democracia.
- O Corinthians não usou uma mensagem comercial na primeira vez que entrou em campo após a liberação da publicidade. No dia15 de novembro de 82, eles estamparam uma mensagem política: “dia 15, vote”. Depois vieram as mensagens publicitárias - exemplifica Gomes.
Marca na camisa, negócio da china
Flamengo tem uma das publicidades mais caras em
camisas(Foto: Divulgação)
Segundo Evandro Gomes, a propriedade publicitárias dos clubes mais disputadas é o espaço dos uniformes dos jogadores.
- O as marcas querem é a publicidade na camisa mesmo. Chama mais atenção tem uma visibilidade maior. Mas não só por isso. O torcedor que compra a camisa carrega a marca com ele.
O preço para estampar a marca varia de clube. Os grandes como Flamengo e Corinthians fecham contratados milionários. Mas times de menos apelo muitas vezes cobram um valor muito baixo.
- O mais barato no futebol cearense foi uma venda de espaço por R$ 1.500.
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