Rodrygo treina nas categorias de base do Santos
(Foto: Arquivo Pessoal)
Bem longe de Fortaleza, na cidade de Santos - litoral paulista, está Rodrygo, filho do lateral-direito do Ceará, Eric. Pai e filho separados por mais de três mil quilômetros de distância. Mas eles estão unidos por um elemento em comum, para além dos laços sanguíneos: o futebol.
Nas categorias de base do Santos, mais precisamente no sub-12, Rodrygo vai se preparando para ser um novo Neymar. E não é só aquela história de se inspirar no visual do craque. O garoto investe no capital mais valioso de um jogador de futebol, que é, afinal, a bola no pé. Não à toa, é chamado de Neymarzinho pelos colegas.
- Eles falam que eu pareço muito com ele. Princinpalmente jogando, claro. Eu sempre corto o cabelo igual a ele, acompanho o que ele faz, mas é porque eu jogo parecido com ele - diz o garoto.
O Neymarzinho começou sua ainda curta carreira jogando bola no meio da rua e foi descoberto por um treinador de uma escolinha. Alguns treinos, campeonatos e testes depois e o garoto foi vestir a camisa do São Paulo, mas foi logo observado pelos santistas, que o "capturaram" ao final de 2010 para treinar na Baixada. Aos 12 anos, vem sendo moldado passo a passo. É driblador e artilheiro. Ano passado, por exemplo, balançou as redes 20 vezes no Campeonato Paulista Sub-11, sagrando-se o principal artilheiro da competição. Isso já vem despertand ointeresses no garoto.
- A gente teve proposta do São Paulo para ele voltar, proposta para levá-lo para fora do Brasil, para o Barcelona, mas a gente conversou com alguns amigos e pessoas que nos assessoram também, e eles acharam melhor que ele permaneça no país dele. Porque a mudança de um país é muito drástica para uma criança. Eu creio que o melhor dele é permanecer no país dele de origem - declara Eric.
No sub-11, Rodrygo marcou 20 gols e foi artilheiro do Campeonato Paulista (Foto: Arquivo Pessoal)
Rodrygo - como muitos dos garotos que seguem os passos de Neymar e outros ídolos - sonha em jogar fora do país. Por ora, no entanto, a cabeça dele está centrada no Santos, que, por sinal, é seu clube de coração. Mesmo assim, os sonhos são grandiosos.
- Eu quero sim ser jogador profissional. No futuro, quem sabe, chegar até a seleção brasileira - revela.
Mesmo não tendo ainda chegado à seleção, Rodrygo, pelo menos, já conheceu o ídolo Neymar. em um treinamento dos profissionais, ele esteve lá para falar com o jogador. Também já dividiu olhares do público, ao demonstrar seu talento em um evento cheio de feras como Ganso, além, claro de Neymar.
- Acho até que ele já me conhece ou sabe meu nome. Colegas nós ainda não somos. Mas acho que ele já sabe quem eu sou - afirma Rodrygo.
Rodrygo, em foto ao lado do ídolo Neymar
(Foto: Arquivo Pessoal)
Sucesso e conselhos
Rodrygo sempre teve em casa um jogador para se inspirar. O pai, lateral-direito, porém, diz não ter influenciado muito nas escolhas do filho.
- A gente nunca impôs nada assim a ele. Ele sempre teve a própria escolha. Acho que foi Deus que deu esse talento especial a ele. É dom mesmo - declara o pai de Rodrygo.
A influência do pai parece não ter sido mesmo preponderante. Afinal, o garoto passou longe de querer jogar na defesa. Pelo contrário, sempre se identificou com a função de matador. O negócio dele é complicar a vida dos goleiros adversários.
Com a alcunha de Neymarzinho dada ao filho, Eric até sonha em jogar com ele, mas prefere, claro, que seja do mesmo lado.
- Sem dúvida sonho com isso. Se for do mesmo lado, muito melhor. Porque pra marcar ele é meio difícil. A gente até brinca. Não lembro de outro pai ter jogado com o filho. A gente vai tentar. Se for a vontade de Deus - afirma.
Com a profissionalização cada vez mais cedo dos atletas, não é tão difícil imaginar que pai e filho consigam jogar juntos - ainda que sejam adversários no campo. O lateral-direito do Ceará tem 28 anos de idade. Apesar do garoto também desejar enfrentar o pai ou jogar ao lado dele, Rodrygo tira onda.
Eric, pai de Rodrygo, atuando pelo Ceará
(Foto: Divulgação / CearáSC.com)
- Eu sou melhor que ele. Sem dúvidas - brinca.
Enquanto pai e filho não se enfrentam, a distância física os separa, mas o futebol os une novamente. Até mesmo nos papos. Rodrygo sempre acompanhou o pai e conhece o "meio" futebolístico. Por isso, não lhe faltam conselhos que vêm de Eric sobre a carreira e até sobre mulheres. Por que não?
Ao pai, todo o cuidado com a carreira e imagem do garoto - que mora com a mãe em Santos, enquanto Eric treina, joga e trabalha em Fortaleza.
- Mesmo de longe eu acompanho a realização do sonho dele. Ele sabe bem, desde pequeno, como é difícil a carreira de futebol. A gente busca mostrar sempre a realidade. Porque muitas vezes as pessoas só passam o glamour do futebol. Mas futebol também é dificuldade, é viver longe da família. Tenho tentado dar dicas pra ele, principalmente no comportamento. Além de ser um jogador diferente, ser um homem de caráter, um espelho para as outras pessoas.
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