Tão inesquecíveis quanto a visita do Papa João Paulo II e os shows de Roberto Carlos e Xuxa no Castelão, são os grandes feitos do futebol local, como os tetras de Fortaleza e Ceará, conquistados na grama da maior praça esportiva do estado. Os títulos tiveram todos os ingredientes para jamais serem esquecidos e, na semana que antecede a entrega das obras do Castelão com moldes Fifa, o GLOBOESPORTE.COM resgata as maiores emoções da torcida cearense.
Goleiro Fabiano foi o herói do tetra do Fortaleza, em 2010 (Foto: Kid Junior/Agência Diário)
No primeiro domingo de maio de 2010, o Vovô entrava em campo com a obrigação de vencer o Leão para levar a decisão para os pênaltis. Misael tratou de abrir o placar para o Ceará logo aos dois minutos. Tatu empatou, mas Geraldo - de cabeça - novamente colocou o alvinegro na frente. Após uma hora e meia de bola rolando, as cerca de 57 mil pessoas testemunhariam, a partir dali, uma disputa histórica.
Paulo Isidoro, Guto e Tatu marcaram as penalidades para o Fortaleza, enquanto Fabrício fez para o rival. Mas isso pouca gente leva em conta. Marcante mesmo seria não quem fez gol, e sim quem o impediu ou perdeu. O Bruno de Jesus poderia ficar marcado pela torcida do Fortaleza, após ver Diego pegar sua cobrança. Não ficou, porque o Ceará errou três pênaltis. Fabiano espalmou o chute de Erick Flores, que ainda bateu na trave depois; Ernandes acertou o travessão; e Misael foi parado pelo goleiro Fabiano - que consagrou-se o herói do tetra.
Há trinta e dois anos, no entanto, a história acontecia ao contrário. Depois de perder o turno inicial para o Fortaleza, o Ceará ganhou o comando técnico de Moésio Gomes, o Paim, que teve grande notoriedade no rival. A decisão do presidente Eulino Oliveira gerou polêmica, mas deu certo. O tetra do alvinegro seria eternizado principalmente com a ajuda providencial de Tiquinho.
Ceará conquistou o tetra 30 anos antes do Fortaleza (Foto: Reprodução/TV Verdes Mares)
Cerca de 48 mil pessoas foram ao Castelão naquele 20 de dezembro de 1978. Até os 44 do segundo tempo, no entanto, ninguém viu gol algum. Ele apareceu somente aos 45. Amilton Melo roubou a bola de Otávio Souto no meio do campo e ela só foi parar na rede, depois de um toque sutil de Tiquinho, graças ao cruzamento de Ivanir. O gol gerou confusão e esquentou ainda mais o jogo. Os tricolores reclamaram de impedimento de Ivanir e sobrou até para o gandula que Geraldino Saravá acertou, por estar atrasando a reposição de bola. Nada, entretanto, impediu a festa do Vovô.
De festas, por sinal, o nobre Castelão não tem do que se queixar. As duas maiores torcidas do estado têm tanto a agradecer ao estádio, como ele próprio deve ser eternamente orgulhoso pelo que sediou, diante de tantas cores. Agora os torcedores seguem na espera ansiosa pela entrega da nova Arena. Gols, títulos e polêmicas tornarão a acontecer.
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