Quando Itamar sofreu uma pancada no joelho, no jogo contra o América-MG, em 28 de agosto, mal sabia que demoraria para voltar a fazer dupla com Mota, no ataque do Ceará. A contusão somada a suspensão de Mota, a falta de um meia de ofício que dê conta do recado e um reforço de peso em Porangabuçu promovem, desde a recuperação de Itamar, desencontros que dificultam a parceria dos dois, na linha de frente alvinegra.
O camisa 11 desfalcou a equipe por três rodadas e, quando voltou, o parceiro da camisa 9 foi recuado para a função de meia. Desta forma, Misael fez dupla com Itamar. No jogo seguinte, os dois até poderiam voltar a jogar lado a lado, mas Mota estava suspenso.
A questão é quando o passado pode voltar a ser realidade. Principalmente porque agora há um concorrente e tanto para o setor ofensivo. Magno Alves chegou com status de ídolo, conquistado em 2010, e deve estrear já contra o Atlético-PR, no próximo sábado. Os três goleadores dão uma dor de cabeça agradável ao técnico PC Gusmão. Quem sacar? Arrisca usar os três?
Sucesso que vem da Coreia
Dùvidas a parte, o certo é que Mota e Itamar assinam por 43% dos gols do Ceará na Série B até o momento - 18, de 41 marcados. E o sucesso no setor ofensivo não é surpresa para nenhum deles. É apenas a reafirmação de uma parceria que vem de longa data. Lá da Coreia do Sul, para falar a verdade.
- Eu cheguei num clube, depois chegou o Mota. Aí o Mota foi transferido e, depois, voltamos a nos encontrar e fomos campeões coreanos - explica o atacante Itamar, hoje com 32 anos.
Primeiro o cearense e o mineiro do sorriso fácil se encontraram no Chunnam Dragons, em 2004. Jogaram um ano por lá e depois voltariam a jogar juntos no Seongnam Ilhwa, em 2007, onde formariam a dupla de ataque por mais dois anos. Sim, sempre foram titulares e artilheiros absolutos.
- A equipe trabalhava em prol da gente. Como a gente viu nas Olimpíadas de Londres, o futebol da Coreia é muito de marcação. Os coreanos cuidavam disso no time e os brasileiros serviam para decidir o jogo. Fomos uma dupla que sempre impôs respeito e até hoje eles não nos esquecem - relata Mota, também com 32 anos.
Mota e Itamar: parceria que vem de longa data (Foto: Marcos Montenegro/GloboEsporte.com)
Os brasileiros impuseram respeito, mas os Coreanos também exigiam respeito. Mota e Itamar jamais podiam falar algo em português por lá. Vai que estavam falando mal dos coreanos e eles não sabiam...
- Tinham dois ou três brasileiros no time. A equipe tinha mais jogadores coreanos. Ficavam com receio e preferiram que a gente aprendesse coreano ou inglês - lembra Itamar.
A ginga e o senso de humor característico do povo canarinho passam longem do país oriental. Não colocam apelido em jogador e ninguém tira brincadeira com outro, segundo os 'matadores' brasileiros. Mas Mota chama o companheiro de ataque carinhosamente de 'Negão'. O mesmo 'Negão' que cansou de ouvir o atacante cearense falar do time de coração, o Ceará.
- Ele me falava muito, falava da torcida, da grandeza do time e me fez ter vontade de jogar aqui - afirma Itamar.
Da torcida do Ceará, Itamar já ganhou vários apelidos. Itamessi, Itahimovic, Itabalotelli...
- Esse é mais parecido! Itabalotelli! - interrompe Mota - 'Negão', altão, forte...
Mas o camisa 11 já se diz velho demais para estar ganhando apelido... Prefere o simples 'Itamar' mesmo.
Currículos vitoriosos
Mota voltou em 2009 e foi recepcionado com festa
(Foto: Divulgação Ceará)
Mota consagrou-se ídolo alvinegro em 2009, depois da passagem também marcante de 2000 a 2003. No retorno, o cearense do bairro Antônio Bezerra foi um dos protagonistas da campanha que acabou com o acesso à Série A, após 16 anos na Segundona do Campeonato Brasileiro. Em 2010, Mota retornou à Coreia, agora para o Pohang Steelers, e lá permaneceu até o ano seguinte, antes de vestir a camisa alvinegra novamente.
O camisa 9 também tem passagem marcante pelo Cruzeiro. Lá, conquistou o Campeonato Brasileiro em 2003, marcando o gol do título - o 28° do ano com a camisa azul. Uniclinic, Ferroviário, Mallorca da Espanha e Sporting de Lisboa são outros clubes que vestiram Mota.
Itamar teve passagem frustrante no Flamengo
(Foto: Alexandre Vidal / Fla Imagem)
Já Itamar tem as melhores recordações, no Brasil, da época de Palmeiras, em 2002. E, antes de ficar por 5 anos na Coreia, em vários clubes, acumulou experiência no Iraty, Goiás e São Paulo. Depois das temporadas na Coreia, jogou no Jaguares e no Tigres, do México, no Al-Rayyan, do Catar, e no Flamengo. Mas no rubro-negro não chegou a ser aproveitado.
Metas para Ceará
Da mesma forma com que se fizeram inesquecíveis no país coreano, Mota e Itamar esperam fazer história em 2012, dando o retorno a Série A ao Ceará.
- E aí vira tudo felicidade - conclui o sempre sorridente Itamar.
Aos coreanos que os goleadores deixaram saudades, Mota arrisca um 'boa tarde' na língua oriental. Os dois ainda desenrolam a língua estrangeira. Tímido, mas com muita sabedoria, o cearense manda um 'boa tarde' aos internautas lá da Coreia.
- 안녕하세요
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