O prazo para cadastrar integrantes de torcidas organizadas junto ao Ministério Público expirou nesta quarta-feira (26) e muitos ficaram de fora, alguns por receio em preencher os dados necessários, outros por simples resistência em ser identificado. De acordo com o presidente da Cearamor, Jeysivan Silva, 1.500 cadastros foram feitos, de um total de cerca de 6 mil pessoas que fazem parte da torcida. Na Torcida Uniformizada do Fortaleza (TUF), segundo o presidente Eliesio Afonso, 1.400 pessoas fizeram o cadastro. Ao todo, são aproximadamente 7 mil integrantes.
Em contato com o GLOBOESPORTE.COM, o procurador do Núcleo de Desporto e Defesa do Torcedor (Nudetor), José Wilson Sales, informou que todos os cadastros serão checados um a um pela assessoria do Núcleo, a fim de identificar se há algum problema. O processo, segundo Wilson Sales, é demorado e não há prazo para o cadastro entrar em vigor.
Processo de convencimento dos torcedores é contínuo
Assim a gente vai poder identificar quem é mesmo torcedor de verdade e quem não é"
Presidente da TUF
As torcidas organizadas de Ceará e Fortaleza se organizaram para cumprir o que prometeram, de acordo com o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado em abril deste ano, pelos presidentes das torcidas, e tiveram trabalho para convencer os integrantes a fazerem o cadastro.
- Muitos acham que não é preciso. Muitos não querem dar CPF, principalmente - explica Jeysivan.
O presidente da TUF, Eliesio Afonso, informou que os membros da TUF têm manifestado receio ao receber as fichas de cadastro. A diretoria tenta apresentar argumentos para mostrá-los que o cadastramento dos integrantes é bom para o clube e para o futebol cearense.
- Se for mesmo para qualificar a torcida, ótimo. Eu prefiro qualidade do que quantidade, porque tem muita gente infiltrada na nossa torcida que faz baderna e estimula a violência. Espero que seja mesmo para tirar esse pessoal e é isso que falo para os torcedores da TUF - afirma Eliesio.
O tricolor também defende a criação de um setor somente para os integrantes da torcida organizada.
- Assim, a gente vai poder identificar quem é mesmo torcedor de verdade e quem não é - diz.
Do lado alvinegro, a Cearamor criou uma norma a parte para fazer com que os integrantes oferecessem seus dados. Nas reuniões frequentes com grupos de bairro, eles adotaram um critério que fez com que muitos se rendessem às fichas do Ministério Público.
- Para aderirem à camisa de bairro, têm que fazer cadastro. E a gente só faz camisa de grupos de bairro, nos locais que tiverem no mínimo 40 pessoas, todas elas com cadastro - explica Jeysivan.
De argumento em argumento, as torcidas continuam colhendo cadastros e enviando aos órgãos competentes. A TUF pretende enviar mais 1.500 fichas até o fim de outubro, por exemplo.
Cadastro irá facilitar a identificação de falsos torcedores
Os atos de violência ocorridos antes da partida entre Fortaleza e Paysandu, no Estádio Presidente Vargas, acabaram com a suspensão de um torcedores do Leão, por 90 dias, do PV, com adereços e objetos que identifiquem a torcida organizada. Eles, entretanto, não estão proibidos de frequentar o Estádio. Isso só seria possível, se houvesse a identificação de cada um que cometeu atos de violência. O que seria viável com o cadastro junto aos órgãos de segurança.
Como um caso caro, neste mesmo episódio, o MP-CE conseguiu recomendar punição a um torcedor que havia atirado bomba no vidro de proteção do PV. Por ter sido identificado, ele ficará afastado por um ano dos jogos do Fortaleza e, em cada dia de partida do Leão, terá que comparecer ao Frotinha do bairro Parangaba, na Capital cearense, para prestar serviços sociais.
Além das cenas de violência vistas na partida válida pela Terceirona, a suspensão, por seis meses, da Torcida Jovem do Flamengo (TJF) dos estádios de todo o Brasil é outro exemplo que o Ministério Público Estadual utiliza para se fazer valer o TAC. Integrantes da TJF são investigados pelo assassinato de um torcedor do Vasco, Diego Leal, de 30 anos, no dia 19 de agosto, antes do clássico entre as duas equipes no Estádio do Engenhão.
Torcidas de Ceará e Fortaleza (Foto: Tuno Vieira/ Natinho Rodigues/ Ag. Diário)
Entenda o processo para regulamentar torcidas e torcedores
Após assinarem o TAC, as torcidas tiveram 90 dias para regulamentarem seus atos constitutivos - nome da torcida, estatuto, sede, fontes de recurso etc. Veja abaixo as que enviaram seus dados a tempo para o MP:
Torcida Organizada Cearamor
Movimento Organizado Força Independente (MOFI)
Torcida Ceará Chopp
Torcida Setor Alvinegro
Torcida Cangaceiros Alvinegros
Torcida Uniformizada do Fortaleza (TUF)
Jovem Garra Tricolor - JGT
Elas tiveram até o dia 26 de setembro para enviar a ficha dos integrantes de suas torcidas, conforme apresenta a Cláusula Segunda do TAC:
O cadastro deverá ser realizado por meio eletrônico (arquivo digital), com cópia às seguintes instituições: respectiva agremiação esportiva para qual torce, CIPE, Polícia Civil, SECEL, FCF e NUDETOR, devendo conter, dentre outros dados, o nome completo do integrante, naturalidade, filiação, RG, CPF, estado civil, profissão, escolaridade, endereço residencial e o comercial, fotografia, além de assinatura, nos termos do art. 2º-A, parágrafo único, da Lei nº
10.671/03 e do art. 2º, da Lei Municipal nº 9.192/2007.
Com esses dados, a determinada torcida deverá expedir uma carteira de identificação de seu membro e entregar uma cópia delas a todos os órgãos citados no TAC. Depois da data a ser determinada, o integrante da torcida poderá ser impedido de entrar nos Estádios
trajando ou portando qualquer adereço da torcida se não exibir, quando solicitado,
o documento de identificação.
Evitar a violência de todas as formas é a ideia principal do TAC. Em caso de descumprimento das normas, serão aplicadas as medidas educativas de advertência ou suspensão de comparecimento aos estádios que sediem eventos esportivos de futebol, seja em campeonato estadual, nacional ou internacional. Eles ainda estarão sujeitos a multas que variam de mil a dez mil reais.
Nenhum comentário:
Postar um comentário